
Um dos estados com maior produção agrícola do país, Paraná tem utilização de agrotóxicos elevada. O modelo causa problemas de saúde e ambientais.
por Amanda Yargas
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) o Brasil é o terceiro país do mundo em aplicação de agrotóxicos, ficando atrás apenas de Estados Unidos e China. Por aqui foram aplicadas mais de 377mil e 200 toneladas de pesticidas nas plantações em 2019, último ano com dados disponíveis, o que equivale a 6 kg por hectare.
Desde 2017, o Brasil vem aprovando mais de 400 produtos deste gênero anualmente para uso agrícola e industrial. O glifosato é o agrotóxico mais popular do Brasil. Ele representa 62% do total de herbicidas usados no país enquanto é proibido em países europeus e enfrenta processos judiciais nos Estados Unidos, alguns concluídos com indenizações milionárias. O motivo é que estudos indicam que o glifosato pode causar câncer. No Paraná, a quantidade de agrotóxicos aplicada corresponde a 10L por habitante ao ano. E isso tem um impacto muito forte na saúde da população, como explica o médico da família e nutrólogo, dr Luiz Nicolodi.
SONORA
Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV),da universidade de Princeton e do Insper identificaram que o uso do glifosato nas lavouras de soja nas regiões Sul e Centro-Oeste aumentou a mortalidade infantil em 5%. Ou seja, no período de um ano, 503 crianças morrem nessas regiões por consumir água contaminada com glifosato.
O médico indica que três fatores podem mudar essa realidade.
SONORA
Para a deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) é necessária uma conscientização sobre os malefícios individuais e coletivos do uso de agrotóxicos, além de rever várias legislações sobre o tema. Ela ainda considera que um pontapé inicial para esta mudança seria implementar uma merenda orgânica nas escolas.
SONORA