
Dois motivos faziam o mercado publicitário enxergar 2020 como um ano muito bom: as Olimpíadas de Tóquio, por conta do engajamento do público brasileiro com o esporte; e por não ser um ano de eleição presidencial. Em entrevista a Época Negócios, Eduardo Simon, CEO da DPZ&T, diz que a agência tinha planos ousados, com grandes pacotes de mídia vendidos. Mas a pandemia do novo coronavírus mudou os planos. “A gente teve que repensar tudo. Campanhas deixadas de lado para mudar o tom de voz e a postura da comunicação. A ideia era ajudar as nossas marcas a não desaparecerem no meio dessa confusão”, afirmou.
Além de mudar o tom de voz e a postura da comunicação, Marcel Matsuda, CEO da agência fri.to, explica que as empresas precisaram ter cuidado ao abordar a situação. “Os responsáveis pelas comunicações tiveram que ter muito cuidado antes de lançar uma campanha, com muita atenção para o propósito das empresas”.
Comunicação
Para Eduardo Simon, apesar de todos os problemas, o setor sai fortalecido. “O que fica claro é que nunca foi tão urgente e necessário comunicar. Nossa profissão sai fortalecida”.
Marcel Matsuda reforça que é mais importante você ser relevante para poucos do que ser pouco relevante para muitos. “Não importa o tamanho da empresa e da marca, o empresário deve ter muita vontade de fazer e entregar sempre algo diferente. Quem não tem diferencial não tem nada. Estamos em um mercado muito competitivo, há um clique de copiar qualquer produto e serviço”.
Futuro
Os futuros publicitários precisam se atualizar para acompanhar a velocidade das mudanças e as faculdades não estão conseguindo ter a mesma velocidade, como explica Rapha Avellar, CEO da agência de publicidade Avellar. “Pense em uma pessoa que entrou na faculdade em 2017 e saiu em 2020. Tik Tok não existia, ninguém ouvia podcast, ninguém tinha feito uma live no Facebook com mais de 30 mil pessoas. A pessoa chega em um mundo completamente diferente”, pondera.
Avellar acrescenta que as empresas estão treinando seus funcionários. “Notamos que tínhamos de treinar quase 40% dos nossos novos contratados porque eles não estavam prontos”.
O executivo entende que a formação ainda tem uma abordagem muito teórica, longa e desconectada da realidade prática. “Se você quer resolver esse problema, os cursos precisam ser de curta duração, senão o conhecimento prático adquirido se torna inútil. A teoria é importante, mas a ordem do novo mundo é ser guiado pela aplicabilidade prática”, pontua.