
Bancada articula a derrubada do veto à homenagem à psiquiatra Nise da Silveira. O presidente Jair Bolsonaro alegou que não é possível comprovar “a envergadura dos feitos” da médica, por isso, impediu a inscrição do nome dela no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Por Fernanda Nardo
Alegando impossibilidade de se comprovar “a envergadura dos feitos da médica Nise da Silveira e o seu impacto no desenvolvimento da Nação”, o presidente Jair Bolsonaro vetou o projeto que incluiria o nome da psiquiatra no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Nise da Silveira é reconhecida internacionalmente pelo tratamento humanizado de pessoas com transtornos mentais. Ela era contrária ao confinamento dos pacientes, ao eletrochoque e às intervenções cirúrgicas no cérebro na década de 1940. Em consequência do seu posicionamento, Nise da Silveira foi transferida para uma área de terapia ocupacional, onde descobriu os ganhos com as atividades artísticas. A médica defendia que os pacientes expressarem os sentimentos por meio das artes, em especial da pintura e que ainda convivessem com animais. Em 1956, Nise da Silveira fundou a Casa das Palmeiras, onde os pacientes apenas passavam o dia sem necessidade de internação. A senadora Eliziane Gama, do Cidadania do Maranhão, e relatora do projeto criticou a justificativa de Bolsonaro de que a homenagem não pode ser “inspirada por ideais dissonantes das projeções do Estado democrático.” A líder da Bancada Feminina anunciou uma articulação pela derrubada do veto.
SONORA
Para o veto ser derrubado, são necessários os votos de 257 deputados e de 41 senadores. Ainda não há uma data para esse veto ser apreciado em sessão do Congresso Nacional.