
A cloroquina e a hidroxicloroquina tiveram seus usos permitidos pelo Ministério da Saúde em pessoas com quadro leve de Covid-19. A mudança no protocolo foi divulgada nessa quarta-feira. Mas, os efeitos colaterais causados por esses medicamentos em pacientes com a infecção pelo novo coronavírus são graves e podem piorar o estado clínico do doente. O uso vai contra as orientações da Organização Mundial de Saúde e vai precisar ser autorizado formalmente pelo próprio paciente. Confira na reportagem de Amanda Yargas.
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Nesta quarta-feira o Ministério da Saúde emitiu um protocolo incluindo a cloroquina e a hidroxicloroquina no tratamento para pacientes com sintomas leves de Covid-19. Mas o próprio documento reconhece que não há evidências suficientes que garantam a eficácia dos medicamentos contra o novo coronavírus. Desta forma, a orientação do Ministério define que cabe ao médico a decisão sobre prescrever ou não a substância, e ela deve ser autorizada pelo paciente com a assinatura do Termo de Ciência e Consentimento. No termo é citada a possibilidade de piora do quadro clínico como resultado da administração da cloroquina ou hidroxicloroquina. Antes disso, as diretrizes do Ministério previam apenas a utilização delas em pacientes graves e monitorados pelos hospitais.
O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Clóvis Arns, explicou em uma entrevista exclusiva à Rede Aerp de Notícias que neste momento nenhum medicamento demonstrou eficácia no combate à infecção causada pelo novo coronavírus.
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Segundo o presidente da SBI, as pesquisas realizadas em laboratório que apontaram uma possível eficácia da utilização da cloroquina e da hidroxicloroquina para o combate ao vírus causador da covid-19 eram preliminares e não se confirmaram no tratamento em pacientes.
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A cloroquina é utilizada em pacientes com malária e a hidroxicloroquina em pacientes com reumatismo e nestes casos não há efeitos colaterais sérios. Só que com a Covid-19 a história é outra.
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O diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde, Michael Ryan, quando perguntado sobre o novo protocolo no Brasil, disse que todas as nações têm autonomia para fazer orientações sobre o uso de medicamentos por seus cidadãos, mas reafirmou que tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra a infecção do novo coronavírus ou na sua prevenção, e que na verdade as evidências têm mostrado o contrário. Por isso a OMS apenas indica a sua utilização em pacientes com Covid-19 em ensaios clínicos.
Repórter Amanda Yargas