
Após casamento do prefeito de Araucária, na RMC, com uma adolescente de 16 anos, tema volta aos holofotes; especialista destaca que a prática tem impacto direto na saúde, educação e segurança das meninas.
Por Fernanda Nardo
Após a divulgação do casamento do prefeito de Araucária, na RMC, Hissam Hussein Dehaini (sem partido), de 65 anos, com uma adolescente de 16 anos, o tema da união precoce voltou aos holofotes. O Brasil é o quinto país do mundo em números absolutos de casamento infantil. De acordo com a organização Girls not Brides, mais de 2,2 milhões de menores de idade são casadas no país ou vivem numa união. Conforme a advogada e professora da PUC Paraná, Rita Vasconcelos, o casamento de meninas acima de 16 anos, com consentimento dos pais, é permitido por lei. No entanto, ela reforça que a união precoce, mesmo sendo proibido para meninas menores de 16 anos, é naturalizada no Brasil.
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Entre alguns fatores que levam o casamento estão o desejo da família em proteger a reputação em caso de gravidez, segurança financeira por parte das adolescentes e da família e o desejo dos maridos em casar com meninas mais jovens, vistas como mais atraentes e de fácil controle. Para a promotora de Justiça do Ministério Público do Paraná, Kátia Krieger, mesmo sendo permitido, o casamento precoce não deve ser incentivado, pois tem impacto direto na saúde, educação e segurança delas.
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Katia destaca que para mudar o cenário é preciso alterar a legislação, promover a conscientizar a sociedade a respeito dos casamentos na infância e adolescência, priorizar uma educação sexual nos ambientes escolares e oferecer serviços de saúde para juventude.
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