Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná

Recomeçar: projeto de indústria ajuda na ressocialização de detentos no Paraná

Por Comunicação. Publicado em 31/07/2023 às 13:43.

Mais de 23 mil atendimentos foram realizados em 13 anos do projeto, auxiliando na reinserção no mercado de trabalho e resgate da autoestima.

 

Por Fernanda Nardo

“Esperança”. É assim que C.A, 40 anos, descreve o Projeto Recomeçar, do qual participou quando estava presa na Cadeia Pública de Toledo, na região Oeste do Paraná, cumprindo pena de seis anos por ter sido acusada de mandante de homicídio. Ela tinha 32 anos, dois filhos – um de seis e outro de nove anos – quando se envolveu com a pessoa errada e foi presa.  Após pouco mais de um mês atrás das grades, C.A conheceu o grupo que faz parte do Projeto Recomeçar, desenvolvido pela Responsabilidade Social da indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi, o qual oferece oficinas de música, atividades esportivas e artísticas, palestras com dicas de saúde e orientações sobre o mercado de trabalho para os detentos do Departamento Penitenciário de Toledo (Depen) e do Fórum da cidade.  Quando conquistou novamente a liberdade, C.A recuperou a guarda dos filhos, que estavam com os avós, e conseguiu voltar ao mercado de trabalho, atuando hoje no atendimento ao público.

SONORA

Criado em 2010, o Projeto Recomeçar iniciou atendendo 80 mulheres. Em 13 anos, foram realizados mais de 23 mil atendimentos a pessoas privadas de liberdade de ambos os sexos em Toledo. As oficinas abordam temas relacionados a competências comportamentais, informações sobre saúde e qualidade de vida, como explica a supervisora de Responsabilidade Social da Prati-Donaduzzi, Maria Rita Pozzebon.

SONORA

Além das oficinas realizadas às quartas-feiras, a farmacêutica também dá oportunidades de trabalho aos privados de liberdade por meio do Projeto Colméia. Atualmente, sete detentos trabalham seis horas por dia fazendo as embalagens usadas para o transporte de medicamentos. Em troca, eles recebem benefícios como redução da pena prevista na Lei de Execução Penal (três dias trabalhados significam um dia a menos de pena), além do pagamento do pecúlio. O valor é inferior ao salário mínimo, com uma parte depositada para a família do detento e a outra fica com o Depen para ser entregue assim que o alvará de soltura for emitido.